domingo, 22 de fevereiro de 2009

BABY

Os primeiros dias de aula

Entre adaptar e acolher

Vamos começar nossa conversa, imaginando cenas de filmes comuns que passam nos finais de tarde na televisão.

Cena 1: mãe e filho(a) seguem de mãos dadas por um ambiente pouco conhecido. Repentinamente aparece um estranho que toma a criança pelas mãos, levando-a para dentro de uma sala e fechando a porta em seguida. A mãe fica desolada e solitária, sem saber o que fazer e o que poderá acontecer...

Cena 2: um ser pequeno, indefeso, solitário, chega em um local imenso, cheio de pessoas desconhecidas e que fazem coisas também desconhecidas. Uns choram, outros riem; uns cantam, outros falam; uns brincam, outros observam. Alguém se aproxima e pega-o pelas mãos a fim de levá-lo. O que fazer?...

Cena 3: um local fechado, cheio de pequenos desconhecidos. Alguns gritam, outros choram, riem, puxam sua roupa em busca de atenção, outros observam ao longe. O que fazer?...

É claro que estas cenas são caricaturais! Mas e se fizéssemos uma brincadeira de imaginar a cena 1 do ponto de vista de uma mãe que deixa seu filho(a) pela primeira vez aos cuidados de outro adulto que não conhece? E a cena 2 como sendo o primeiro dia de aula de uma criança bem pequena, cujo núcleo social anterior era apenas o família? Já na última, imagine uma professora que, apesar da formação, recebe anualmente uma média de 15 a 30 crianças com saberes, experiências, interesses, expectativas e valores diferentes!!!

Na verdade, se os primeiros dias de aula não forem realmente bem planejados e compartilhados podem sim virar cena de filme de terror e suspense, tanto para as crianças quanto para os pais e professores. Independentemente da idade, série, escola, de conhecer ou não o professor anteriormente, todos envolvidos no processo educativo (pais, alunos e escola) passam a cada ano por um novo processo de adaptação.

Atualmente discute-se muito em educação a importância do acolher para adaptar, ou seja, é preciso cuidar muito deste momento inicial, para que todos — pais, professores e, principalmente, crianças — sintam-se seguros e confortáveis no novo ambiente social chamado escola.

Acolher envolve afetividade, atenção, cercar de cuidados, ou seja, tudo o que qualquer pessoa quer quando entra em contato com um novo ambiente, grupo, situação. Pensando em crianças que a cada ano iniciam sua vida escolar mais cedo, a importância do acolher é enorme.

Sobre a adaptação, podemos torná-la muito mais tranqüila se acompanhada de acolhimento, atenção, segurança, pois estar adaptado a um ambiente ou situação significa conhecer, dominar, entender, participar efetivamente e, em se tratando de escola, considera-se que uma criança está adaptada a partir do momento em que começa a dominar o espaço físico, a entender e conhecer a rotina diária de atividades, a participar e se expressar de diferentes maneiras, realizando escolhas e propostas com certa autonomia, estabelecendo vínculos afetivos, entre tantas outras coisas.

Algumas iniciativas podem colaborar neste processo de acolhimento e adaptação, tendo como foco principal sempre a CRIANÇA.

Por parte da escola, algumas estratégias podem ser discutidas entre a equipe escolar, como, por exemplo:

  • Aumentar gradativamente o tempo de permanência da criança na escola durante a primeira semana, ou o período que se fizer necessário;
  • Preparar um dia em que filhos e pais possam conhecer e vivenciar a rotina escolar juntos, diminuindo assim angústias de ambas as partes;
  • Filmar a rotina e apresentá-la aos pais e às crianças durante reunião;
  • Permanecer sempre aberto o canal de comunicação entre escola e família para que possíveis dúvidas ou inseguranças possam sempre ser esclarecidas;
  • Garantir um planejamento tranqüilo e prazeroso para que crianças e professora possam se conhecer e apreciar estarem juntas;
  • Envolver todos os funcionários neste processo de acolhimento e adaptação das crianças e suas famílias;
  • Organizar espaços e materiais que possam atrair os pequenos.

Na parceria escola-família, a família contribui:

  • Conhecendo a escola escolhida por meio de visitas, referências, entrevistas etc.;
  • Fornecendo o maior número possível de informações sobre a criança;
  • Criando um clima de tranqüilidade e segurança em casa para que a criança aprecie a nova experiência;
  • Cuidando dos combinados e horários da escola, para que a criança não se sinta abandonada ou diferente do seu grupo;
  • Conversando com a criança sobre seu dia, mostrando-se interessada pela sua vida escolar;
  • Construindo um vínculo com a professora e equipe escolar para que a comunicação seja sempre aberta.

É claro que cada um possui um tempo individual para adaptar-se a novas situações, pessoas, ambientes, e esta diversidade precisa ser considerada com observação e diálogo constante entre a escola e a família, para que sejam descobertas possibilidades para a permanência e bem-estar da criança. Há crianças que levam de meses a quase um ano para se adaptar efetivamente à escola, independentemente da idade ou série. E, para tanto, será fundamental o empenho da equipe escolar em conjunto com a família.

Ir para escola com um sorriso no rosto, uma idéia na cabeça, uma grande vontade de aprender e de estar junto com o outro é tudo que podemos querer para os nossos pequenos, pois: “estar na escola é estar na vida!” – José Pacheco (Escola da Ponte – Portugal).

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