segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Início de ano letivo

É mais um momento de rever as nossas práticas pedagógicas, nossas ações e metodologias adotadas no dia - a dia do nosso trabalho como educador.

As expectativas são muitas, a vontade de fazer a diferença e buscar resultados positivos, nos fazem idealizar novos projetos e rever de uma forma cada vez mais real as nossas ações.

Conhecer mais os nossos alunos e procurar a todo momento uma maior interação e afetividade nas nossas relações com toda a comunidade escolar...faz uma GRANDE DIFERENÇA!

Criar um vinculo afetivo com as nossa crianças é fundamental, EDUCAÇÃO SE FAZ COM RESPEITO , AMOR e sobretudo com uma vontade muito grande de ajudar as crianças a superarem as possíveis dificuldades , pois todos são capazes de aprender.....basta acreditarmos nisso!!

Kátia Freitas

domingo, 22 de fevereiro de 2009

BABY

Os primeiros dias de aula

Entre adaptar e acolher

Vamos começar nossa conversa, imaginando cenas de filmes comuns que passam nos finais de tarde na televisão.

Cena 1: mãe e filho(a) seguem de mãos dadas por um ambiente pouco conhecido. Repentinamente aparece um estranho que toma a criança pelas mãos, levando-a para dentro de uma sala e fechando a porta em seguida. A mãe fica desolada e solitária, sem saber o que fazer e o que poderá acontecer...

Cena 2: um ser pequeno, indefeso, solitário, chega em um local imenso, cheio de pessoas desconhecidas e que fazem coisas também desconhecidas. Uns choram, outros riem; uns cantam, outros falam; uns brincam, outros observam. Alguém se aproxima e pega-o pelas mãos a fim de levá-lo. O que fazer?...

Cena 3: um local fechado, cheio de pequenos desconhecidos. Alguns gritam, outros choram, riem, puxam sua roupa em busca de atenção, outros observam ao longe. O que fazer?...

É claro que estas cenas são caricaturais! Mas e se fizéssemos uma brincadeira de imaginar a cena 1 do ponto de vista de uma mãe que deixa seu filho(a) pela primeira vez aos cuidados de outro adulto que não conhece? E a cena 2 como sendo o primeiro dia de aula de uma criança bem pequena, cujo núcleo social anterior era apenas o família? Já na última, imagine uma professora que, apesar da formação, recebe anualmente uma média de 15 a 30 crianças com saberes, experiências, interesses, expectativas e valores diferentes!!!

Na verdade, se os primeiros dias de aula não forem realmente bem planejados e compartilhados podem sim virar cena de filme de terror e suspense, tanto para as crianças quanto para os pais e professores. Independentemente da idade, série, escola, de conhecer ou não o professor anteriormente, todos envolvidos no processo educativo (pais, alunos e escola) passam a cada ano por um novo processo de adaptação.

Atualmente discute-se muito em educação a importância do acolher para adaptar, ou seja, é preciso cuidar muito deste momento inicial, para que todos — pais, professores e, principalmente, crianças — sintam-se seguros e confortáveis no novo ambiente social chamado escola.

Acolher envolve afetividade, atenção, cercar de cuidados, ou seja, tudo o que qualquer pessoa quer quando entra em contato com um novo ambiente, grupo, situação. Pensando em crianças que a cada ano iniciam sua vida escolar mais cedo, a importância do acolher é enorme.

Sobre a adaptação, podemos torná-la muito mais tranqüila se acompanhada de acolhimento, atenção, segurança, pois estar adaptado a um ambiente ou situação significa conhecer, dominar, entender, participar efetivamente e, em se tratando de escola, considera-se que uma criança está adaptada a partir do momento em que começa a dominar o espaço físico, a entender e conhecer a rotina diária de atividades, a participar e se expressar de diferentes maneiras, realizando escolhas e propostas com certa autonomia, estabelecendo vínculos afetivos, entre tantas outras coisas.

Algumas iniciativas podem colaborar neste processo de acolhimento e adaptação, tendo como foco principal sempre a CRIANÇA.

Por parte da escola, algumas estratégias podem ser discutidas entre a equipe escolar, como, por exemplo:

  • Aumentar gradativamente o tempo de permanência da criança na escola durante a primeira semana, ou o período que se fizer necessário;
  • Preparar um dia em que filhos e pais possam conhecer e vivenciar a rotina escolar juntos, diminuindo assim angústias de ambas as partes;
  • Filmar a rotina e apresentá-la aos pais e às crianças durante reunião;
  • Permanecer sempre aberto o canal de comunicação entre escola e família para que possíveis dúvidas ou inseguranças possam sempre ser esclarecidas;
  • Garantir um planejamento tranqüilo e prazeroso para que crianças e professora possam se conhecer e apreciar estarem juntas;
  • Envolver todos os funcionários neste processo de acolhimento e adaptação das crianças e suas famílias;
  • Organizar espaços e materiais que possam atrair os pequenos.

Na parceria escola-família, a família contribui:

  • Conhecendo a escola escolhida por meio de visitas, referências, entrevistas etc.;
  • Fornecendo o maior número possível de informações sobre a criança;
  • Criando um clima de tranqüilidade e segurança em casa para que a criança aprecie a nova experiência;
  • Cuidando dos combinados e horários da escola, para que a criança não se sinta abandonada ou diferente do seu grupo;
  • Conversando com a criança sobre seu dia, mostrando-se interessada pela sua vida escolar;
  • Construindo um vínculo com a professora e equipe escolar para que a comunicação seja sempre aberta.

É claro que cada um possui um tempo individual para adaptar-se a novas situações, pessoas, ambientes, e esta diversidade precisa ser considerada com observação e diálogo constante entre a escola e a família, para que sejam descobertas possibilidades para a permanência e bem-estar da criança. Há crianças que levam de meses a quase um ano para se adaptar efetivamente à escola, independentemente da idade ou série. E, para tanto, será fundamental o empenho da equipe escolar em conjunto com a família.

Ir para escola com um sorriso no rosto, uma idéia na cabeça, uma grande vontade de aprender e de estar junto com o outro é tudo que podemos querer para os nossos pequenos, pois: “estar na escola é estar na vida!” – José Pacheco (Escola da Ponte – Portugal).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

“O inssino no Brasiu è otimo”

“O inssino no Brasiu è otimo”

Esther Pillar Grossi

Não é só no Brasil que o ensino está péssimo. Este, infelizmente, é um problema internacional. O fato de que em várias avaliações haja mais de 50 países com resultados superiores aos brasileiros não quer dizer que os outros estejam bem. Na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos... numerosas pesquisas revelam carências graves, principalmente, nas aprendizagens da língua materna e da matemática, que são alicerces para a construção de qualquer conhecimento.

Não temos a quem imitar ou ao menos em quem nos inspirar para que melhoremos nossos resultados escolares. Temos, sim, que nos incorporar às vanguardas científicas que estão descobrindo algo muito novo neste campo.

Este algo muito novo começa com a constatação alvissareira de que “todos podem aprender”. De que a inteligência não é um dom, mas de que ela, em verdade, é um processo, ficando-se inteligente provocado por oportunidades de formular problemas.

Isto implica numa mudança completa no jeito de ensinar. Não se ensina explicando, se ensina instigando os alunos com desafios para que eles se façam perguntas. Só se aprende se há alguma falta a preencher. A competência para produzir esta falta tornou-se a base da ação docente, à luz de sólidas construções científicas em didática e em psicologia da inteligência.

Esta competência, por sua vez, supõe mais do que o domínio da matéria a ensinar. Supõe o domínio de um campo original dos saberes, que é a trajetória sui generis que percorremos até atingir um conjunto de conceitos, chamada psicogênese.

Psicogênese é um campo novo no âmbito do ensino, assim como há campos novos em engenharia, em administração, em comunicação, na diplomacia, etc.

A psicogênese dá conta de que, para aprender, não se vai direto aos conhecimentos que já foram elaborados e que estão sistematizados nos livros. A gente constrói hipóteses engenhosas, porém equivocadas, no trânsito rumo aos saberes. Só conhecendo essas hipóteses é que o professor pode fazer com que os alunos passem pela constatação de suas incompletudes e abram espaço para novas aprendizagens.

Mas, psicogênese é um ramo científico relativamente recente. A psicogênese da leitura e da escrita foi explicitada nos idos de 1980. Em matemática, estão disponíveis psicogêneses em vários conteúdos como as estruturas dos números, as estruturas aditivas e multiplicativas, a proporcionalidade, as medidas e algo em geometria. E elas requerem hoje, esforços tanto para que sejam apropriadas pelo que os pesquisadores já disponibilizaram, assim como para que estes, disponibilizem mais e mais.

Além da psicogênese, há também a compreensão de que aprender é um fenômeno social e de que se aprende visceralmente em trocas com os outros. Os outros estão em três categorias: os que sabem mais do que aquele que aprende, os que sabem o mesmo e os que sabem menos do que cada aluno.

Os professores são aqueles que devem saber mais do que os alunos. Mas, conforme afirmou o próprio Piaget, há momentos em que um bom professor presta um mau serviço a eles. São os momentos em que um parceiro igual em termos de conhecimentos, ajuda mais que um professor, pois a autoridade deste atua como um bloqueio à aceitação de que está equivocado e de que necessita humildemente aceitar este equívoco.

Estas considerações conduzem obrigatoriamente a uma mudança na estrutura de sala de aula. Aluno um atrás do outro, ouvindo professores e copiando do quadro é um panorama obsoleto da escola, que aliás é ainda tão encontradiço.

Muitos ainda não se deram conta do quanto deve e pode mudar a escola e se dizem satisfeitos com a que aí está. Mas, não são todos. No Rio Grande do Sul, nós do Geempa podemos testemunhar que 400 professores de 20 municípios estão empenhados em transformar seu modo de ensinar, dentro do Projeto da SEC ‘Para alfabetizar alunos com 6 anos’.

Além disso, mais municípios, por conta própria, demandam assessoria para que revejam seus velhos hábitos pedagógicos e instaurem uma didática atualizada, digna do 3º milênio e, à altura de ensinar a todos, como tem direito cada aluno.

É preciso incluir nesta instauração os núcleos do Geempa em Brasília, no Rio de Janeiro, no Ceará, em Goiás e no Paraná.

E mais, o Colégio Israelita Brasileiro, solicitou orientação para uma reformulação de seu currículo na área de matemática, desde a escola infantil até o 3º ano do ensino médio, o que estamos assessorando para que ocorra em 2009.

Assim, pode se constatar que já há bons indícios de tomada de consciência de que “o inssino no Brasiu” não está ótimo e de que há recursos científicos para melhorá-lo.

Finalmente, impõe-se agregar a Colômbia que por intermédio do seu Ministério de Educação, pede um grupo de pesquisa brasileiro, que ajude a descumprir com a profecia de fracasso que pesa injustamente sobre as cabeças de tantos alunos, os quais em verdade, tem tudo para aceder ao poder dos saberes e às alegrias do aprender.

Conheça seu aluno e motive-o a aprender

Conheça seu aluno e motive-o a aprender

Alunos reunidos, brincandoMais um ano letivo inicia-se e com ele várias indagações. Como será minha turma? Agitada? Será que vou conseguir “controlá-los”? E muitas outras questões ocultas que nem nos atrevemos a pronunciá-las.

Alguns dizem que a turma é a imagem do professor. Durante algum tempo questionei este pressuposto, mas após alguns anos na sala de aula, percebi que somos nós quem ditamos o ritmo. Mesmo quando acreditamos o quanto “as crianças estão difíceis ou indisciplinadas”, nós também temos resposabilidade sobre estas ações de nossa sala de aula. Podemos buscar maneiras de motivar nossas crianças a sentirem-se co-responsáveis.

Ás vezes nos iludimos achando que as crianças só estão ali porque são obrigadas, mas a verdade é que elas adoram estar na escola e depende de nós o aquecermos esta paixão.

Então conquiste seus alunos, motive-os a estarem na sala de aula junto com você.

Crie, no primeiro dia de aula algo que simbolize a relação que você quer manter com seus alunos até o último dia deste ano letivo. Como fazer isso?

Algumas idéias que poderão ser modificadas, a fim de serem melhoradas, assim que entrarem em contato com seus alunos.

  • Encontre uma música que cante a alegria e que você acredite seja significativa para crianças da idade com as quais você vai trabalhar. Distribua revistas para as crianças. Peça para que procurem imagens que provoquem boas sensações. Monte junto com as crianças um painel com as imagens que todos escolheram. Coloquem o painel num lugar privilegiado, acessível a todos. Sempre que precisar despertar boas sensações, mostrem o painel e conversem sobre as imagens.
  • Converse com as crianças sobre os super-heróis (para adolescentes escolham personalidades ou personagens da literatura) que elas mais admiram, descubra exatamente o que eles admiram. Discuta sobre esses comportamentos e ou valores. Faça uma lista. Peça para que as crianças produzam uma história na qual a turma seja protagonista e que demonstrem tais comportamentos e valores. Sempre que precisar despertar todas as sensações que envolveram tal atividade, leia a história.
  • SEMPRE leia para as crianças. TODOS OS DIAS.
  • Crie analogias, tais como: aprender isso será tão fácil quanto tomar um copo de água (analise a pertinência da analogia). Peça para que as crianças façam o mesmo: aprender isto foi tão gostoso quanto? Provoquem este tipo de reflexão a todo o momento. Instigue seus alunos a trazer coisas de sua realidade. Motive-os a perceber o quanto a escola está próxima de suas histórias, suas necessidades e suas vontades.
  • Brinque. Prepare atividades em que as crianças possam utilizar todo seu potencial criativo. Utilize para isto todos os recursos disponíveis: o corpo em diversos tipos de brincadeiras; brinquedos e jogos.

Lembre-se que toda aprendizagem bem sucedida está associada a uma boa experiência. Proporcione experiências positivas, saudáveis. Seja claro e objetivo com seu aluno, esbanje palavras de gentileza. Trate seu aluno com curiosidade e ele lhe dará inúmeras pistas de como deseja ser tratado.

*Rosemeire Benedita da Silva é pedagoga, atriz, pós-graduada em Relações Internacionais, Master em neurolinguística, diretora escolar na rede municipal de São Bernardo do Campo e formadora na área de Tecnologias aplicada à educação.

Aprendizagem

"Só aprendemos aquelas coisas que nos dão prazer e a partir de sua vivência que surgem a disciplina e a vontade de aprender."

Rubens Alves

sábado, 6 de setembro de 2008

Família e Escola juntos na Educação

Prof. Ms. Joana Maria R. Di Santo

Até os anos 1960, casar, criar filhos era um projeto de vida; agora, tal projeto ficou relegado a um plano secundário e, praticamente, perdeu o sentido, como perderam o sentido os valores a longo prazo. A humanidade como um todo está perdendo o sentido propriamente humano da afetividade e compromisso com o conjunto para a individualidade, o consumismo, a solidão.

Numa breve retrospectiva histórica, vemos que, nos anos 1960, a política autoritária, não apenas do Brasil, mas de muitas partes do mundo, fez com que os jovens se revoltassem contra todo poder instituído, inclusive o patriarcal. Queriam quebrar barreiras e a família foi a primeira delas, a mais acessível naquele momento de amor livre, de “revolução branca” contra as amarras institucionais.


Acrescenta-se a tal situação que, com a tecnologia altamente desenvolvida a que temos acesso nos dias de hoje, tudo fica bonito e veloz, mas, dentro de casa, onde estão os sentimentos? Onde está o espaço do diálogo entre os familiares? A grande chave do relacionamento familiar é poder amar de verdade e converter isso em ação. Para tanto há que se reservar um tempo específico. E, na atualidade, tudo indica que tal ação não esteja ocorrendo a contento. Nossa sociedade de tantas contradições está promovendo muito mais a aproximação e intercâmbio entre projetos e culturas diferentes do que entre os membros de uma mesma família e, também, do que entre as famílias e as equipes das escolas que seus filhos freqüentam.

É certo que os papéis da família e da escola, antes prioritariamente repressores, modificaram-se ao longo das últimas décadas. Uma das principais diferenças refere-se à transmissão do conhecimento, pois antigamente, essa transmissão dava-se apenas na escola, a agência por excelência destinada à transmissão dos conhecimentos acumulados pela sociedade. Os valores e padrões de comportamento eram ensinados e cultivados em casa.

Atualmente, a família tem passado para a escola a responsabilidade de instruir e educar seus filhos e espera que os professores transmitam valores morais, princípios éticos e padrões de comportamento, desde boas maneiras até hábitos de higiene pessoal. Justificam alegando que trabalham cada vez mais, não dispondo de tempo para cuidar dos filhos. Além disso, acreditam que educar em sentido amplo é função da escola. E, contraditoriamente, as famílias, sobretudo as desprivilegiadas, não valorizam a escola e o estudo, que antigamente era visto como um meio de ascensão social.

A escola, por sua vez, afirma que o êxito do processo educacional depende, e muito, da atuação e participação da família, que deve estar atenta a todos os aspectos do desenvolvimento do educando. Reclama bastante da responsabilidade pela formação ampla dos alunos que os pais transferiram para ela, e alega que isto a desviou da função precípua de transmitir os conteúdos curriculares, sobretudo de natureza cognitiva. Com isso, ao invés de ter as famílias como aliadas, acaba afastando-as ainda mais do ambiente escolar. E todos perdem!

Há que se considerar, ainda, os casos de separação do casal, em que as crianças são colocadas diretamente no embate e sofrem muito mais que os pais, que deixam de ser marido e mulher, mas continuam pai e mãe das crianças. Quando já estava presente um relacionamento de confiança família-escola, e esta acolhe o aluno de maneira satisfatória, os sentimentos de abandono e medo do futuro diminuem. Em geral, tais pessoas conseguem comunicar-se melhor com as próprias oportunidades que o mundo oferece e geralmente tiveram o privilégio do estímulo familiar, impulsionando e apontando o compromisso com a dignidade, a possibilidade de conquistar os próprios sonhos, alicerçando condições para que as pessoas acreditem em si mesmas e ajam com vistas ao sucesso.

Já no caso das famílias que têm se envolvido com a educação dos filhos enquanto cobrança, principalmente da promoção de uma série para outra, e também de comportamento e interação, colocando em plano secundário a motivação, o prazer de freqüentar a escola e de aprender, os problemas se agravam. Como esperar alunos estimulados e envolvidos com o processo de ensino-aprendizagem se a cobrança de resultados é excessiva e o medo de não corresponder às expectativas imobiliza?

Como as demais instituições sociais, a família e a escola, passam por mudanças que redefinem sua estrutura, seu significado e o seu papel na sociedade. É o que tem acontecido nos dias de hoje, em função de diversos fatores, sobretudo, a emancipação feminina. Com isso, os papéis da escola foram ampliados para dar conta das novas demandas da família e da sociedade. Esse é um fato que deve, necessariamente, ser levado em consideração quando se trabalha com a escola. Negá-lo é agir fora da realidade e não obter resultados satisfatórios.

É certo que cada segmento apresenta reclamações e expectativas em relação ao outro; os professores acham que os pais devem estabelecer limites e ensinar a seus filhos os princípios básicos de respeito aos semelhantes, boas maneiras, hábitos de alimentação e higiene pessoal, etc. Por sua vez, os pais se recusam a comparecer à escola para ouvir sermões e serem instados a criar situações que possibilitem a aprendizagem de seus filhos, alegando que a função de ensinar conteúdos, criar situações de aprendizagem é da escola, dos professores.

Se num primeiro momento os professores reclamaram e rejeitaram a função mais ampla de transmitir valores morais, princípios éticos e padrões de comportamento, desde boas maneiras até hábitos de higiene pessoal e alimentação, como falamos anteriormente, hoje já não estão tão arredios em participar de tais atividades e, também, atender a esses pais, ouvindo-os, dialogando com eles e, dessa forma, colaborando para a sua formação e de seus filhos.

As escolas, por sua vez, estão abrindo espaços para a participação das famílias, a ponto de, hoje, família e escola serem co-autoras das decisões administrativas e pedagógicas, o que acaba favorecendo e facilitando a educação dos estudantes. As faculdades de Pedagogia e os cursos de licenciatura vêm debatendo a necessidade de ambas caminharem juntas, se responsabilizando mutuamente pela formação dos alunos. Estão discutindo entre seus pares que, para haver parceria e composição de tarefas, é preciso ter clareza do que cabe a cada uma das instituições. A escola deve compreender que a família mudou e é com essa família que deve trabalhar. A escola precisa ser o espaço de formação/preparação das novas gerações. Os professores precisam aproximar-se de seus alunos tendo o apoio constante da família.

Valorizar a heterogeneidade em lugar da ambicionada homogeneidade perseguida pela escola tradicional, a universalização do ensino, evitando a discriminação e o abandono, o processo e não apenas o produto do conhecimento, o respeito à diferença, investindo na educação inclusiva, o papel do professor como mediador do processo, bem como a necessidade de constituir junto aos estudantes valores e conceitos para a vida harmoniosa e plena em cidadania, são tarefas relativamente recentes e bastante complexas a serem assumidas por todos os envolvidos no trabalho escolar.

Finalmente, na relação família/educadores, um sujeito sempre espera algo do outro. E para que isto de fato ocorra é preciso que sejamos capazes de construir de modo coletivo uma relação de diálogo mútuo, onde cada parte envolvida tenha o seu momento de fala, onde exista uma efetiva troca de saberes. A construção dessa relação implica em uma capacidade de comunicação que exige a compreensão da mensagem que o outro quer transmitir, e para tanto, se faz necessário, a competência e o desejo de escutar o que está sendo expresso, bem como a flexibilidade para apreender idéias e valores que podem ser diferentes dos nossos.

Por parte da escola: respeito pelos conhecimentos e valores que as famílias possuem, evitando qualquer tipo de preconceito e favorecendo a participação dos componentes da instituição familiar em diferentes oportunidades, estimulando o diálogo com os pais e possibilitando-lhes, também, obter um ganho enquanto sujeitos interessados em evoluir e se aperfeiçoar e como seres humanos e cidadãos compromissados com a transformação da realidade.

A função social da leitura

Ler significa não só ver as letras do alfabeto e juntá-las em palavras, mas também estudar a escrita, decifrar e interpretar o sentido, reconhecer e perceber.
A aprendizagem da leitura sempre se apresenta intencionalmente como algo mágico, senão enquanto ato, enquanto processo da descoberta de um universo desconhecido e maravilhoso. Parodiando Paulo Freire: "ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém educa a si mesmo; os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo". Refletindo melhor se poderia dizer: ninguém ensina ninguém a ler. O aprendizado é, em última instância, solitário, embora se desenvolva na convivência, cada vez mais com os outros e com o mundo, naturalmente!
A leitura é importante em todos os níveis educacionais. Portanto, deve ser iniciada no período de alfabetização e continuar nos diferentes graus de ensino. Ela constitui-se numa forma de interação das pessoas de qualquer área do conhecimento.
A leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento. Está intimamente ligada ao sucesso do ser que aprende. Permite ao homem situar-se com os outros. Possibilita a aquisição de diferentes pontos de vista e alargamento de experiências. É também um recurso para combater a massificação executada principalmente pela televisão. Para ele, o livro é ainda um importante veículo para a criação, transmissão e transformação da cultura.
Através do hábito da leitura, o homem pode tomar consciência das suas necessidades (auto educar-se), promovendo a sua transformação e a do mundo. Pode praticar o exercício dialético da libertação.
O aumento de leitores significa acesso às informações mais objetivas. Com isto passarão a ser críticos da realidade, além de tentar transformar essa realidade a partir do que foi conhecido e construído durante as leituras.
O problema da falta de hábito de ler já começa nas primeiras séries do primeiro grau, em razão dos textos utilizados serem muitas vezes ultrapassados e alienados dos problemas da realidade, não constituindo nenhuma motivação para o aluno. O mercado está cheio de livros didáticos sem sustentação filosófica e teórica e, muitas vezes, ainda conta com a incompetência profissional do educador para orientar corretamente esta prática.

É preciso lembrar que a educação do ser humano envolve sempre dois fatores: formação e informação. Por isso, os conhecimentos transmitidos as novas gerações devem ser trabalhados com os valores e costumes para que ocorra a sobrevivência e evolução da cultura. Os textos podem ser utilizados na realização de objetivos educacionais tanto para formar como para informar.
A motivação para leitura envolve curiosidade e abertura a novos conhecimentos e informações. Os alunos lêem normalmente para as provas e estas leituras são sempre escolhidas pelo professor.
Ler é uma prática básica, essencial para aprender. Nada substitui a leitura, mesmo numa época de proliferação dos recursos audiovisuais e da Informática. A leitura é parte essencial do trabalho, do empenho, de perseverança, da dedicação em aprender. O hábito de ler é decorrente do exercício e nem sempre constitui-se um ato prazeroso, porém, sempre necessário. Por este motivo, deve-se recorrer a estímulos para introduzir o hábito de leitura em nossos alunos